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Imposto de Renda médico autônomo: como declarar?
Você, médico autônomo, pode enfrentar dificuldades que outros médicos não enfrentam no dia a dia, referentes a impostos e pagamentos. Uma delas, é a declaração do Imposto de Renda.
Vale ressaltar que este assunto sempre gerou muitas dúvidas, até porque, quem não é CLT, ou seja, não possui um contrato de trabalho com alguma empresa, acaba possuindo diferenças nas questões de declaração.
Porém, no ano de 2025, surgiram mudanças que já estão valendo para os anos seguintes e, pensando nisto, resolvi elaborar um texto para te alertar de possíveis dores de cabeça.
Até porque, ninguém está interessado em cair na malha fina ou simplesmente cometer erros que já poderiam ter sido antecipados.
Acompanhe!
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Como funciona o Imposto de Renda para médico autônomo?
Para o médico autônomo (pessoa física), o Imposto de Renda funciona de forma bem dinâmica e exige uma organização mensal.
Como você, médico, não tem um patrão para reter o imposto na fonte, a responsabilidade de calcular e pagar cai no seu colo.
Ou seja, cabe a você organizar seus gastos e ganhos e declarar corretamente, através do Carnê-Leão. Vou detalhar melhor abaixo. Confira!
Recolhimento mensal obrigatório do Carnê-Leão
Diferente de quem é CLT, ou seja, possui carteira assinada (CTPS), você não espera o ano acabar para declarar. Se você recebe de pessoas físicas (consultas particulares), deve usar o Carnê-Leão Web mensalmente.
Você lança seus ganhos todo mês no portal e o sistema calcula o imposto devido. O imposto deve ser pago via DARF até o último dia útil do mês seguinte ao do recebimento.
Uma dica: como autônomo, você pode deduzir as despesas necessárias para exercer a profissão, o que reduz o valor sobre o qual o imposto é calculado. Ou seja, é detalhando o livro-caixa, que você pode ser beneficiado.
Você pode abater aluguel do consultório, IPTU, condomínio, luz, água, telefone, internet, material de limpeza, descartáveis e até salários/encargos de funcionários (como o salário de uma secretária, por exemplo).
Além disso, congressos, livros técnicos e o seu conselho (CRM) também entram na conta. Guarde todas as notas fiscais e recibos por pelo menos 5 anos!
E lembre-se: em 2026, houve uma mudança importante nas tabelas para dar um fôlego maior a quem ganha menos:
- Agora, rendimentos mensais de até R$ 5.000,00 estão isentos de Imposto de Renda;
- Quem ganha entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350,00 tem um desconto progressivo que suaviza a “mordida” do leão;
- Acima de R$ 7.350,00 mensais, a tabela segue as alíquotas tradicionais, chegando aos 27,5%.
Declaração Anual do IRPF
A Declaração de Ajuste Anual (DIRPF) é o momento de “acertar as contas” com a Receita Federal.
Para o médico autônomo, ela é o fechamento de tudo o que você registrou no Carnê-Leão durante o ano.
A boa notícia é que você não precisa digitar tudo de novo. Quando você preenche o Carnê-Leão Web mensalmente, o programa da Declaração Anual permite importar todos os dados.
Sendo assim, a Receita Federal cruza as informações que você declara com as informações que os seus pacientes declaram.
O texto continua após o vídeo.
Clínicas e hospitais enviam a Declaração de Serviços Médicos e de Saúde. Se você prestou serviço para uma clínica, os valores devem bater centavo por centavo.
Na sua declaração, você deve informar o CPF de cada paciente que te pagou. Se o paciente declarar que te pagou R$ 500 e você não declarar esse valor, o alerta de malha fina é disparado quase instantaneamente.
Na Declaração Anual, além do que você já abateu no livro-caixa mensal, você pode incluir as deduções “clássicas” para reduzir o imposto final ou aumentar sua restituição:
- Dependentes: filhos, cônjuge, etc;
- Saúde própria: planos de saúde e consultas que você mesmo pagou;
- Educação: gastos com escola ou faculdade (própria ou de dependentes), respeitando o limite anual;
- Previdência privada: se você tiver um PGBL, pode abater até 12% da sua renda tributável anual.
Quanto um médico autônomo deve pagar de Imposto de Renda?
O valor exato que um médico autônomo paga de Imposto de Renda depende diretamente do seu faturamento mensal e do uso estratégico do Livro-Caixa.
Graças às novas regras que entraram em vigor este ano, o desconto do Leão está mais suave para quem ganha até R$ 7.350,00, mas continua progressiva para valores maiores.
O texto continua após o vídeo.
Portanto, se você possui dúvidas ou está com dificuldades de calcular ganhos e gastos para declarar, o auxílio de um advogado especialista em Direito Médico, pode ser a chave para uma declaração mais tranquila.
Este profissional, além de entender as dores e necessidades do médico, conhece os caminhos legais e pode te proteger de possíveis problemas.
Quais são as despesas dedutíveis para médicos autônomos?
Para o médico autônomo, as despesas dedutíveis são divididas em duas frentes: as que você abate mensalmente no Livro-Caixa (para pagar menos imposto no Carnê-Leão) e as que você abate na Declaração Anual (como qualquer outro contribuinte).
Estas são as despesas indispensáveis para a manutenção do seu consultório e para a geração da sua receita. Elas reduzem o lucro sobre o qual o imposto mensal é calculado.
- Infraestrutura: aluguel, condomínio, IPTU, água, luz, telefone e internet do consultório;
- Pessoal: Salários, FGTS, INSS e férias de funcionários com carteira assinada (secretárias, auxiliares, limpeza);
- Insumos médicos: materiais descartáveis, luvas, máscaras, seringas e produtos de limpeza da clínica;
- Formação e atualização: congressos, simpósios, seminários, livros técnicos e assinaturas de periódicos científicos;
- Conselho e Sindicato: anuidades do CRM, sindicatos e associações de classe.
- Marketing: gastos com propaganda, publicidade do seu consultório e salário de profissionais.
Importante: se você atende em casa, a Receita Federal permite deduzir apenas 20% (ou um quinto) das contas residenciais (aluguel, luz, etc.), desde que você consiga comprovar que o espaço é usado para o trabalho.
E lembre-se, algumas questões não dedutíveis no Imposto de Renda, como:
- Compra de móveis, computadores ou equipamentos médicos de alto valor (estes são considerados “bens”, não despesas de custeio).
- Combustível, IPVA, seguro e manutenção de automóvel (exceto para representantes comerciais).
- Roupas de uso pessoal (jalecos são aceitos, mas ternos ou roupas comuns, não).
Como um médico autônomo declara o Imposto de Renda?
O médico autônomo precisa prestar atenção em passos importantes na declaração do Imposto de Renda.
Ou seja, não vale a pena pular etapas ou tentar “enganar” o leão. Acredite, pode custar ainda mais caro.
O texto continua após o vídeo.
A seguir, vou detalhar passos importantes. Continue a leitura!
Organize todos os documentos e comprovantes de rendimento
O médico autônomo lida com um volume alto de dados. Além dos informes de bancos, foque em:
- Recibos emitidos: verifique se todos têm nome e CPF do paciente (essencial para o cruzamento da DMED);
- Comprovantes do Livro-Caixa: notas fiscais de fornecedores e comprovantes de encargos trabalhistas da secretária/auxiliar.
Importe os dados do Carnê-Leão
Este é o passo mais importante para quem atende particular.
No programa do IRPF, você deve ir na ficha “Rendimentos Tributáveis Recebidos de PF/Exterior” e clicar no botão “Importar Dados do Carnê-Leão”.
Isso trará o faturamento e as despesas dedutíveis que você lançou mês a mês no Portal e-CAC.
Escolha o tipo de declaração (Simplificada ou Completa)
O programa fará o cálculo automático para você no rodapé da tela, comparando:
- Simplificada: dá um desconto padrão de 20% sobre a renda (limitado a um valor teto). Geralmente melhor para quem tem poucas despesas pessoais;
- Completa: se o somatório do seu Livro-Caixa + Despesas Médicas Pessoais + Dependentes for maior que o desconto padrão, este será o seu caminho para pagar menos ou restituir mais.
Preencha a declaração
Atenção redobrada em duas fichas:
- Pagamentos efetuados: aqui entram seus gastos pessoais (plano de saúde, dentista, escola dos filhos);
- Bens e Direitos: atualize o saldo de contas bancárias e investimentos. Se comprou algum equipamento médico caro no último ano, ele entra aqui como “Bem Móvel”.
Verifique as informações
O programa tem um botão “Verificar Pendências” (o ícone de um sinal de exclamação).
- Erros vermelhos: impedem a entrega;
- Avisos amarelos: permitem a entrega, mas sugerem que falta algo (como o número do recibo da declaração anterior).
Transmita a declaração
Após enviar, salve e faça backup do arquivo do recibo. Ele é exigido para retificações futuras e até para solicitar aumentos de limite de crédito ou vistos em consulados.
Acompanhe a situação da declaração
Não espere o ano acabar. Uma semana após o envio, acesse o Portal e-CAC.
- Se aparecer “Em Processamento”, está tudo certo;
- Se aparecer “Com Pendências”, você caiu na malha fina, mas pode retificar antes mesmo de ser notificado oficialmente.
Como funciona o pagamento e restituição do imposto de renda para médico autônomo?
Para o médico autônomo, o fluxo de dinheiro com o Leão é uma via de mão dupla: você paga mensalmente e, se houver excesso ou muitas deduções pessoais, recebe de volta na restituição.
Em 2026, com as novas faixas de isenção, esse equilíbrio mudou um pouco.
O pagamento não acontece apenas uma vez por ano. Ele é dividido em dois momentos:
- Mensal (Carnê-Leão): sempre que você recebe de Pessoa Física, o imposto deve ser antecipado;
- O documento: você gera um DARF (Documento de Arrecadação de Receitas Federais) pelo sistema do Carnê-Leão Web.
- O prazo: deve ser pago até o último dia útil do mês seguinte ao recebimento.
- Multas: Se esquecer de pagar no mês correto, há incidência de multa (0,33% ao dia, limitada a 20%) e juros (SELIC).
Ou, na Declaração Anual (março/abril), o sistema soma tudo o que você ganhou e tudo o que já pagou de DARF.
Se você teve outras rendas (como aluguéis ou plantões em clínicas PJ) que não foram tributadas o suficiente, o sistema gera um DARF final. Este pode ser parcelado em até 8 vezes.
A restituição acontece quando você pagou mais imposto ao longo do ano do que o cálculo final da Declaração Anual aponta como devido.
Mas por que um médico recebe restituição?
No geral, por causa das Deduções Pessoais (aquelas que não entraram no Livro-Caixa mensal):
- Gastos com dependentes;
- Despesas com saúde própria e da família (planos de saúde, exames);
- Educação (faculdade, pós-graduação);
- Contribuição para previdência privada (PGBL).
E lembre-se: no momento da declaração, você informa sua conta bancária ou sua chave PIX (que deve ser obrigatoriamente o seu CPF).
A Receita Federal paga em 5 lotes mensais, geralmente de maio a setembro.
Médicos não estão no grupo de prioridade legal (idosos e professores), mas quem utiliza a Declaração Pré-Preenchida ou opta por receber via PIX entra nos primeiros lotes.
Conclusão
Pronto! Hoje você conseguiu entender como funciona o Imposto de Renda para médico autônomo, além de seus deveres e direitos.
O importante é estar sempre informado para não cometer deslizes e colocar tudo a perder. Até porque, o Imposto de Renda é algo sério e pode gerar problemas difíceis de serem solucionados.
O ponto importante é calcular e documentar bem os gastos e ganhos e sempre salvar e guardar documentos relevantes que podem fazer a diferença.
E lembre-se: prevenção pode ser a chave para conquistar uma declaração mais organizada, objetiva e livre de complicações.
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Marcela Cunha
Advogada, OAB/SC 47.372 e OAB/RS 110.535A, sócia da Koetz Advocacia. Bacharela em Direito pela Faculdade Cenecista de Osório – FACOS. Pós-Graduanda em Direito Previdenciário pela Escola Superior da Magistratura Federal do Rio Grande do Sul (ESM...
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