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Erro médico ou iatrogenia. O que é e quais as responsabilidades
O termo erro médico sempre assustou quem está na linha de frente da saúde. Muitas vezes, porém, ele é usado de forma equivocada, sem levar em conta toda a complexidade da atividade médica. Nem todo resultado desfavorável significa erro, e nem toda complicação é culpa do profissional e muitas das vezes o que ocorre é uma iatrogenia sem que isso signifique erro.
A Iatrogenia é um conceito conhecido e estudado nas faculdades de medicina, especialmente em matérias de ordem ética. Caracteriza-se, em resumo, por um dano causado por uma intervenção médica.
Ainda assim, nem toda complicação que acontece durante um tratamento ou procedimento médico é resultado de um erro. Muitas das vezes o próprio ato médico (ainda que feito com cuidado e técnica) pode causar um efeito indesejado ou um dano, pois o médico lida com pessoas diferentes, organismos diferentes e consequentemente, formas de reagir a cada tratamentos diferentes.
Abaixo vamos entender um pouco mais sobre as diferenças e semelhanças entre iatrogenia e erro médico, além das consequências desses atos.
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O que é considerado erro médico?
Erro médico é uma falha na conduta do profissional, causada por imprudência, imperícia ou negligência, que gera dano ao paciente. Esse erro precisa ser comprovado, geralmente por meio de perícia, e deve estar conectado diretamente ao dano.
Em resumo, não basta que o paciente tenha sofrido uma complicação, é necessário demonstrar que o médico agiu fora dos padrões técnicos esperados. Ou seja, a justiça irá analisar muito mais a conduta do que o desfecho.
Imprudência
Ocorre quando o médico atua de maneira precipitada, realizando procedimentos arriscados ou desnecessários, especialmente sem validação técnica (ou quando há várias possibilidades mais seguras antes) e sem informar corretamente o paciente.
Imperícia
Ocorre é quando o profissional deixa de agir quando deveria, omitindo um cuidado, não acompanhando pacientes ou ignorando sintomas
Negligência
Ocorre quando o médico não possui habilidade técnica suficiente para realizar determinado procedimento, por exemplo, atuando fora da sua área de conhecimento.
Qual é o novo nome para erro médico?
Em decorrência da proporção que a palavra “erro médico” toma, nos últimos anos têm-se utilizado temos correlatos, mas não necessariamente chamados de “erro”. Então usa-se conduta inadequada, evento adverso, dentre outros, porque “erro” carrega um peso moral que nem sempre corresponde à realidade técnica do caso.
Qual a diferença entre erro médico e iatrogenia?
A Iatrogenia é, em essência, qualquer dano ou condição adversa provocado por uma intervenção médica, mesmo quando essa intervenção é correta e necessária.
Importante entender que a iatrogenia não é sinônimo de erro médico, pois ela está muito mais ligada à consequência (dano) do que à causa (erro procedimental ou não).
Dessa forma, a Iatrogenia pode ocorrer mesmo que o profissional tenha seguido todos os protocolos e literatura médica. Por exemplo, um paciente que tenha uma reação inesperada a um medicamento prescrito corretamente é um caso de Iatrogenia, mas não de negligência ou erro.
No direito essa distinção é fundamental. Isso porque a responsabilidade jurídica do médico é subjetiva, ou seja, somente existe quando há culpa. Se o evento adverso for inevitável ou imprevisto, não há responsabilidade jurídica civil.
Qual a importância do prontuário médico?
Para processos de erro médico, o prontuário é um grande protetor do médico. Ele é o documento que registra, passo a passo, a conduta adotada, desde suspeitas, exames solicitados, medicações ministradas, riscos informados, alternativas discutidas, orientações dadas e reações do paciente, etc.
Num processo, o prontuário completo, claro e cronológico, ajuda a demonstrar que não houve falha. Se estiver incompleto, abre espaço para interpretações desfavoráveis.
Qual a relação entre médicos, pacientes e familiares?
Médicos, pacientes e familiares formam um triângulo delicado. Muitas acusações surgem quando há falta de comunicação, ruído nas expectativas, ausência de explicação sobre riscos ou sensação de abandono.
Famílias emocionalmente fragilizadas interpretam o silêncio como descaso. Já o médico, sobrecarregado, pode não perceber como pequenas atitudes são lidas. Uma relação transparente, humana e bem documentada evita grande parte dos conflitos.
Qual a responsabilidade do hospital por erro médico
Hospitais e clínicas podem ser responsabilizados diretamente por erro médico. E isso de maneira objetiva (sem culpa direta), desde que o erro se dê por falhas relacionadas à estrutura, equipamentos, enfermagem, protocolos internos, etc.
Quando o erro envolve exclusivamente a conduta do médico, o hospital ainda pode ser responsabilizado por falha do serviço, se houver falha na supervisão ou na escolha inadequada de profissionais. Em muitos processos, a responsabilidade é solidária entre médico e instituição.
Quando o médico é responsabilizado?
Quando ficar provado que agiu com uma daquelas três formas culposas que tratamos acima: imprudência, negligência ou imperícia. Isso significa que não basta o paciente ter piorado, é preciso demonstrar que houve falha técnica, omissão ou conduta arriscada sem justificativa.
O texto continua após o vídeo.
Como pode ser a responsabilidade do médico?
Pode ocorrer em três esferas, sendo:
Qual é a responsabilidade ético-profissional?
É analisada pelo CRM, que julga se a conduta violou o Código de Ética Médica. As penalidades vão de advertência até cassação do registro, dependendo da gravidade.
Qual é responsabilidade civil médica?
No âmbito civil, discute-se indenização por danos morais, materiais e estéticos. O paciente precisa provar nexo causal entre a conduta e o dano. O objetivo aqui é reparar financeiramente o prejuízo.
Qual é a responsabilidade penal médica?
Na esfera penal, o médico pode responder por crimes culposos, como lesão corporal culposa ou homicídio culposo, quando o dano ocorre por imperícia, imprudência ou negligência. Em casos raríssimos, pode haver imputação dolosa, mas isso depende de condutas extremas.
O que o código de defesa do consumidor diz sobre?
O CDC aplica-se às relações entre pacientes e serviços de saúde. Ele reforça o dever de informação clara, segurança e qualidade no atendimento. Também estabelece responsabilidade objetiva para hospitais e clínicas e solidária entre profissionais envolvidos.
O paciente é visto como consumidor vulnerável, o que exige ainda mais cuidado documental, principalmente quando do outro lado estive hospitais, planos de saúde ou grandes corporações médicas.
Como evitar erros médicos em uma clínica ou hospital?
- Padronização de protocolos clínicos: protocolos bem definidos reduzem variações perigosas na prática médica e garantem uniformidade na conduta;
- Treinamento contínuo da equipe: atualizações frequentes ajudam a manter a equipe alinhada às melhores práticas;
- Uso de sistemas eletrônicos de saúde: prontuários digitais evitam perda de informação, auxiliam na segurança e reduzem erros de comunicação;
- Comunicação clara entre profissionais: passagens de plantão mal feitas são terrenos férteis para falhas. Comunicação estruturada salva-vidas;
- Verificação dupla de medicamentos: uma segunda checagem reduz drasticamente erros de dose e medicação errada;
- Checklist pré-procedimentos: checklists funcionam como barreiras de segurança, simples, baratas e extremamente eficazes;
- Monitoramento de eventos adversos: quando um evento é registrado e analisado, o ambiente de cuidado melhora e repete-se menos erros.
O que fazer em caso de processo?
- Civil: reunir prontuário, provas, testemunhas e buscar advogado especialista. A defesa é técnica e depende de perícia;
- Criminal: nunca responder sozinho. O advogado atua desde o inquérito para evitar interpretações equivocadas da conduta;
- Ético: nos processos no CRM, a defesa deve ser muito técnica, pois quem avalia é outro médico. Documentação faz diferença.
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Conclusão
Ser acusado de erro médico é uma das experiências mais desgastantes da profissão. O processo é longo, técnico e emocionalmente difícil, mas a boa notícia é que uma defesa bem feita pode reverter cenários complicados.
Com documentação organizada, perícia acompanhada e assessoria jurídica especializada, o médico consegue demonstrar que agiu dentro das boas práticas e, muitas vezes, transformar o caso em uma oportunidade de reforçar sua credibilidade.
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No fim das contas, a melhor defesa começa antes da acusação, ao agir com ética, prevenção e registrando corretamente cada procedimento. Quem faz isso diminui bastante o risco de ser processado por erro médico.
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Marcela Cunha
Advogada, OAB/SC 47.372 e OAB/RS 110.535A, sócia da Koetz Advocacia. Bacharela em Direito pela Faculdade Cenecista de Osório – FACOS. Pós-Graduanda em Direito Previdenciário pela Escola Superior da Magistratura Federal do Rio Grande do Sul (ESM...
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